Domingo, 14 de Outubro de 2007

Barragem avança mesmo, mas não vai inundar nenhuma aldeia

Alvito custa 67 milhões de euros

Sessenta anos depois, a construção da Barragem do Alvito ganha condições para sair do papel. É certo que saiu mais pequena e com menor capacidade de produção de energia. Mas é um investimento estratégico para toda a região e, tendo em conta as características técnicas, paga-se em 15 anos, o que certamente abre o apetite a privados.


barragem de alvito.jpg

A Barragem do Alvito é uma das 10 consideradas prioritárias pelo Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, pelo que deve ser desencadeado o processo conducente ao investimento de 67 milhões de euros numa infra-estrutura que produzirá por ano cerca de cinco milhões de euros em energia. O processo deverá levar ainda alguns anos, mas já é certo que, aquando em funcionamento, a barragem poderá ser amortizada em cerca de 15 anos.

Os números são do estudo encomendado pelo Governo e divulgado na passada quinta-feira, o qual, relançou o histórico projecto do Alvito, o qual se iniciou em 1950 e foi sendo alvo de diversos estudos ou reformulações de estudos. O Governo iniciou assim um processo que os autarcas dos Concelhos abrangidos consideram "irreversível" e que trará também vantagens em termos ambientais, turísticos, de abastecimento de água para rega e consumo humano (ver peça ao lado).

A obra é importante e estratégica, mas não está de modo nenhum relacionada com os projectos anteriores, pois é mais pequena e tem menor potencial de produção, mas não implica a submersão de qualquer aldeia, como previam os projectos anteriores. Só a título de exemplo, o projecto de 1954 previa um paredão com 130 metros de altura e uma capacidade de armazenamento de 2260 milhões de metros cúbicos, à quota 260. Em 1968, num estudo da Coba, o paredão baixava para 97 metros e a barragem enchia até à quota 221, num máximo de 521 milhões de metros cúbicos.

O projecto agora seleccionado prevê um paredão com 76 metros de altura, com o nível pleno de armazenamento a acontecer à quota 200, pelo que a capacidade da barragem será de 209 milhões de metros cúbicos. A produção de energia ocorrerá numa central hidroeléctrica colocada a 1700 metros, num local de caverna (escavado na rocha) com um desnível de 82 metros em relação à barragem.

Estas características permitirão que, com uma potência instalada de 48 Mw sejam produzidos 62 Gigawatts por ano, à base de um caudal de 65 metros cúbicos por segundo. Já em relação ao preço da energia produzida, que rondará os nove cêntimos de euro, "pode ser considerado um custo acima da média, mas ainda assim razoável em relação aos outros nove investimentos", como refere o especialista em barragens, José Calmeiro.

As razões do investimento Ao que tudo indica, o investimento será feito por privados em regime de concessão da exploração, pelo que o Estado não terá de fazer o investimento. Se por um lado, os custos dos privados poderão ser reflectidos no preço da energia produzida, também é certo que este regime de investimento poderá acelerar o processo. Antes de tudo falta, porém, o estudo de impacte ambiental, que é obrigatório, mas os primeiros indicadores são muito positivos.

De acordo com o estudo agora apresentado, o projecto do Alvito reúne quatro condições essenciais para justificar a construção. Além do potencial hidroeléctrico do aproveitamento, permite a optimização do potencial hídrico da sub-bacia do Rio Ocrêza, o qual já tem instaladas as barragens de Santa Águeda e da Pracana, mas vai ter a do Barbaído e do Alvito. A terceira condição consiste na inexistência de aspectos de natureza ambiental (flora, fauna, entre outros) que possam condicionar o aproveitamento hidro-eléctrico.

Finalmente, ponderando a produção energética, os factores socio-económicos e ambientais, procurou assegurar a máxima produção, assegurando a minimização dos impactos em áreas consideradas sensíveis, seja pelo valor ecológico, seja patrimonial. "Este factor terá sido sem dúvida importante e poderá justificar a opção pela quota 200, uma vez que essa era a forma de não submergir a localidade de Cerejeira e de parte da localidade de Casal da Ribeira, no Concelho de Proença-a-Nova", esclarece José Calmeiro.

Estas condições foram essenciais para optar por um conjunto de 10 barragens num grupo inicial de 25, as quais vão permitir ao Governo português aumentar a produção energética em território nacional numa altura em que o preço do petróleo não pára de subir. A produção de energia hidroeléctrica associa-se assim a todas as outras energias renováveis, cujas metas, em termos de produção, também foram revistas em alta pelo Executivo.

A juntar à menor dependência que Portugal passará a ter do exterior em termos energéticos, importa referir o benefício ambiental, pois estima-se que a produção de energia a partir de fontes renováveis, quando comparada com as centrais termoeléctricas (alimentadas a carvão e fuel óleo) evita a libertação de 350 toneladas de dióxido de carbono por Gw produzido. Ora, a emissão de cada tonelada de carbono pode custar entre 25 e 50 euros. Como as 10 barragens poderão produzir, em anos hidrológicos médios, 1630 Gw, tal implica a não emissão de 570 mil toneladas de dióxido de carbono por ano. Logo, embora mais cara que a produzida nas centrais termoeléctricas, esta energia não terá um preço assim tão elevado.



Autor: José Júlio Oliveira da Cruz
publicado por Bocas-Verdes às 15:48
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