Sexta-feira, 20 de Julho de 2007

Autarquias: Mação: ''Imigrantes doutores'' numa vila sem Universidade

Mação, vila do interior Norte do distrito de Santarém, convive, entre a indiferença e a simpatia, com algumas dezenas de novos habitantes, vindos de vários continentes, uma "imigração" diferente da que habita outras vilas do país.


Os "imigrantes" de Mação não vêm à procura de trabalho e melhores condições de vida, são investigadores a fazer mestrados e doutoramentos numa vila sem Universidade nem escolas superiores.

Estes "novos habitantes", que vão rodando de dois em dois ou de três em três anos, vêm parar a Mação graças ao Centro de Investigação Internacional criado no Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo, responsável em Portugal pelos cursos de mestrado de Arqueologia e Arte Rupestre e de doutoramento em Quaternário, Materiais e Culturas.

Desenvolvidos em Portugal ao abrigo de uma parceria entre o Instituto Politécnico de Tomar (Departamento de Território, Arqueologia e Património) e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD, Departamento de Geologia), os cursos inserem-se no programa Erasmus Mundus (destinado a alunos de países em desenvolvimento).

O projecto envolve ainda as Universidades de Ferrara (Itália) e Tarragona (Espanha) e o Instituto de Paleontologia Humana de Paris (França), por onde os alunos fazem passagens de três meses durante os dois anos de curso, no caso dos mestrados, três, nos doutoramentos.

Este ano, Mação conta, entre os seus novos residentes, com cidadãos de países como Colômbia, Brasil, Marrocos, Jordânia, Tunísia, Índia, Indonésia, Turquia, China, Grécia, entre outros, e também alguns portugueses de outros pontos do país.

O presidente da Câmara Municipal de Mação, José Saldanha Rocha (PSD), realça a importância do projecto para uma vila que tem vindo a perder população, não só pela permanência dos investigadores, como pela vinda de especialistas europeus para ministrarem os diferentes cursos e cuja passagem por Mação tem vindo a ter reflexos no fluxo turístico.

A fixação dos mestrandos e doutorandos, que varia entre os 25 actuais podendo ir até à meia centena, veio animar o mercado de aluguer de habitações, bem como o comércio local, destaca.

A residencial e os restaurantes da vila beneficiam ainda da permanência dos professores durante os períodos de aulas.

Cláudia, brasileira da Baía, confessou à agência Lusa que o facto de ser "meio bicho-do-mato" e gostar do silêncio e da calma a ajudou a adaptar-se bem a Mação, onde se encontra a residir com a filha desde Outubro de 2006.

O único aspecto negativo que aponta é a falta de transportes públicos que permitam fazer algum turismo e o acesso a ofertas culturais.

Confessa que, no início, sentiu alguns preconceitos pelo facto de ser brasileira, o que a obrigou a responder mal a observações "idiotas" que lhe eram dirigidas na rua, mas frisa a simpatia dos habitantes que sabem da existência dos estudantes e que até "fazem descontos" e os convidam para suas casas.

Na maior parte bolseiros, os estudantes acabam por colaborar também nas actividades do museu, realça Anabela Pereira, funcionária do Centro de Investigação e ela própria mestranda.

Mohamed, tunisino, está também no primeiro ano do mestrado em Arqueologia Pré-Histórica e Arte Rupestre e, apesar de ser a primeira vez que está num país não árabe, afirma que não teve problemas de integração e que as pessoas são "super simpáticas".

Tal como os outros alunos, Mohamed realçou os "excelentes professores" do curso, destacando Mila Simões de Abreu (UTAD).

Para Faysal, marroquino, o mais difícil, no início, foi a língua, um "pequeno choque" que passou, pois, embora não fale, entende praticamente tudo, também graças ao curso de português que está a frequentar, com outros alunos, duas vezes por semana, na escola local.

O jordano Abdala, em Mação apenas por três meses, cumprindo aqui o período de mobilidade do curso que está a frequentar na Universidade italiana de Ferrara, destaca a componente prática e o trabalho de campo que lhe tem sido permitido desenvolver.

O Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo é dirigido por Luís Oosterbeek, coordenador do Centro de Pré-História do IPT e também ele docente dos cursos de doutoramento e mestrado.

Para Luís Oosterbeek, a investigação é uma prioridade para o museu, inaugurado há dois anos, tendo sido criada uma Comissão Científica Internacional que integra especialistas de diferentes países e redes de parcerias nacionais e internacionais.

Publicado em 30-04-2007
Tema: Notícias
publicado por Bocas-Verdes às 02:58
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1 comentário:
De joao a 2 de Agosto de 2007 às 19:03
isso é so graxa hehehe site da treta, logo no primeiro isso que vem para maçao é so merda putas brasileiras etc, so cangalhada


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