Sábado, 24 de Novembro de 2007

Pinhal Maior entrega escola em Nacala

Os cinco municípios da Pinhal Maior acabam de entregar à povoação de Chivato, em Moçambique, uma escola, com capacidade para 300 alunos. Na aldeia, as crianças vão deixar de aprender o português no chão de terra batida, num quadro que não vê a cor do giz há muitos anos e sem canetas ou lápis para juntar palavras. A Associação de desenvolvimento Pinhal Maior, que integra os municípios de Oleiros, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei e Mação, acaba de entregar uma escola primária na aldeia de Chivato, concelho de Nacala, província de Nampula, em Moçambique. Na última semana, as perspectivas para as mais de 300 crianças daquela localidade, onde a cidade mais próxima fica a mais de uma hora de distância, numa estrada de terra batida, mudaram. Até à última semana, na aldeia, as crianças aprendiam o português sentadas no chão cujo tecto é uma árvore, num quadro que não via o giz há muito tempo, e sem cadernos, canetas ou lápis para juntar palavras. "É algo que nos comoveu e que dói muito", explica Augusto Nogueira, coordenador da Pinhal Maior. Foi assim que surgiu a possibilidade daquela associação apoiar Moçambique com a construção de uma escola, com capacidade para 300 alunos, distribuídos em duas salas. A chegada da comitiva portuguesa, composta por Vitor Antunes, Vitor Cavalheiro, João Lobo (vereadores das Câmaras de Oleiros, Sertã e Proença-a-Nova), pelos presidentes Irene Barata (Vila de Rei) e Saldanha Rocha (Mação) e pelos técnicos da Pinhal Maior, José Augusto e Filipe Antunes, foi motivo para festa rija. A abertura da escola foi para o administrador da cidade de Nacala, Germano José Joaquim, uma data histórica. No largo onde o edifício foi construído, as crianças mostram-se espectantes. Mas ao mesmo tempo satisfeitas por, em Fevereiro, quando o ano escolar se iniciar, poderem aprender com mais dignidade. A caminho segue um contentor com equipamento, roupas, material escolar e brinquedos. "Um atraso no transporte marítimo impediu que ele fosse entregue durante a visita. Ainda assim, transportámos connosco algum material escolar", justifica Vitor Antunes. Entre a população, as afinidades com Portugal continuam a ser grandes. Além da língua, é o desporto que marca pontos. O Benfica mantém a popularidade, e são várias as crianças que exibem, com orgulho, a camisola um dia vestida pelo rei Eusébio da Silva Ferreira. A festa continua. A escola é aberta pelo professor da aldeia. Seguem-se os discursos. Depois vêm os agradecimentos sob várias formas. As danças tradicionais daquela região isolada de Moçambique dão nova cor à cerimónia. Os chefes da aldeia também agradecem. A comitiva portuguesa fica comovida com a recepção e regressa com o sentido do dever cumprido. "A viagem até Chivato não foi fácil, mas valeu a pena", refere Vitor Antunes, vereador da Câmara de Oleiros. Nos cinco dias que durou a operação, a comitiva portuguesa fez várias escalas de avião e percorreu uma distância significativa em carros. A escola terá duas salas, com capacidade para 150 crianças cada uma, além dos respectivos sanitários. "É uma escola muito portuguesa", esclareceu Saldanha Rocha. O terreno foi cedido pelo governo regional, o qual também ofereceu o projecto. Mas o apoio dos cinco municípios do Pinhal Interior Sul vai mais longe e para Moçambique já seguiu muito material didáctico, roupas ou brinquedos. José Marques, presidente da Câmara de Oleiros, sublinha a importância desta acção de solidariedade. "Naquela zona de Moçambique as crianças não têm nada. Surgiu esta possibilidade de nos solidarizarmos e aceitámos o desafio. Deste modo estamos a minimizar uma situação muito negativa para aquelas crianças", diz. João Paulo Catarino, presidente da Câmara de Proença-a-Nova, recorda que este apoio é importante. "Fomos sensibilizados para a situação que aquelas crianças vivem e entendemos apoiar esse projecto", começa por referir. O facto dos alunos aprenderem a língua portuguesa sem qualquer tipo de condições foi determinante. O processo de construção foi gerido pela comunidade cristã das Irmãs Franciscanas e até o empreiteiro é português, embora esteja há mais de 40 anos em Moçambique. "Foi uma forma de termos a certeza de que a escola seria construída", recordou, em Agosto, o autarca de Mação. A solidariedade é partilhada pelos restantes autarcas da Pinhal maior, Irene Barata e José Paulo Farinha. "Todos nós temos uma obrigação moral de ajudar aqueles povos. Como naquela zona de Moçambique existe muita miséria, decidimos acarinhar a iniciativa", explicam.
publicado por Bocas-Verdes às 12:45
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